20-04-2018

Ouvidoria para o Facebook

Privacidade digital não é uma preocupação nova. Mas a sabatina enfrentada por Mark Zuckerberg, cofundador e CEO do Facebook, no Congresso dos Estados Unidos, após a descoberta do uso indevido de dados pela agência Cambridge Analytica, jogou mais luz sobre esta questão.

 
Não temos a menor ideia do tipo de informação que as empresas guardam em seus bancos de dados sobre nós, sejam elas financeiras, políticas ou pessoais. Nem percebemos claramente quando uma ‘inocente sugestão’ de uma rede social, que parece uma brincadeira com os amigos virtuais, embute a captação de mais dados.
 
Um exemplo do qual me recordo era um teste para identificar se você é liberal, de esquerda ou centro-esquerda. Imaginem milhões de perfis destes de posse de candidatos nas próximas eleições? Ajudariam a modular o discurso para conquistar votos.
 
É importante que os ouvidores estejam preparados para estas demandas.
 
E, se não ocorrerem tão imediatamente, que discutamos este tema nas empresas nas quais atuemos. Zuckerberg só foi ao Congresso porque sabia dos riscos que sua rede social correria, se fosse alvo de regulamentação restritiva, pois se trata de um dos grandes negócios da atualidade.
 
Embora este debate ocorra nos Estados Unidos, ele também é muito forte na União Europeia.
 
No Brasil, o Cadastro Positivo está na pauta do Congresso. Causa temor o fato de que os consumidores sejam obrigados a ter seus dados financeiros neste tipo de registro. As possibilidades de invasão de privacidade, caso este projeto vire lei, são muito grandes.
Ouvidores devem ficar de olho em todas estas discussões e prováveis regulamentações, a fim de ser proativos nestas transformações, inclusive nas organizações em que atuam.
 
Finalmente, Mr. Zuckerberg, sugiro que instale ouvidorias do Facebook em todos os países nos quais tenha atividade relevante, como o Brasil. E faça isso já.
 

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