24-07-2018

Mediar é melhor do que litigar



Artigo de Maria Inês Fornazaro, presidente da Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman ( ABO Nacional).

O Brasil precisa, com urgência, de bons mediadores de conflitos. Em meio
aos embates entre modelos políticos, econômicos e sociais, é hora de
dialogar em busca de soluções pactuadas, que atendam em parte às
expectativas dos que estejam em lados diversos. Esse papel de mediador
também pode e deve ser exercido pelas ouvidorias, que têm justamente a
função de responder às demandas dos consumidores junto a organizações públicas
e privadas.

A mediação é uma das principais tendências para o futuro (e o presente)
das relações humanas. Nada melhor que as próprias partes envolvidas
possam chegar a um acordo, pondo fim à demanda.

Sabemos que não há negociação sem que confiemos em quem medeie casos
em que duas partes opostas reivindicam o protagonismo.

O ouvidor já é naturalmente vocacionado para esta mediação, pois sua
atividade implica ouvir ativamente, entender as razões para o conflito,
perceber além do que seja dito e escrito (por exemplo, gestos e ênfase verbal),
separar conteúdo manifesto do real e facilitar o entendimento em torno de um
ponto no qual as demandas se interseccionem.

Um dos aspectos mais relevantes da mediação é a oportunidade que surge
com o novíssimo Código de Defesa do Usuário do Serviço Público, já em
vigor para Distrito Federal, União, Estados e municípios com mais de 500 mil
habitantes. E que, gradativamente, abrangerá todo o país.

Se as autoridades, além de ouvir e responder as demandas do cidadão referentes
aos serviços públicos, também facilitarem a mediação, estarão contribuindo
decisivamente para o equilíbrio entre os interesses públicos e individuais. O cidadão,
que em conjunto paga as contas das
atividades públicas (via impostos, taxas, contribuições e tarifas), se sentirá mais respeitado
e valorizado. Consequentemente, mais responsável por seus atos em favor de um país melhor.

Atenta a esta questão, a Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman  (ABO Nacional)
tem tomado providências para ampliar o conhecimento  sobre mediação, inclusive por meio
de cursos sobre o tema e que assegurem a atuação de forma técnica,
preservando os princípios da confidencialidade, imparcialidade, autonomia e voluntariedade das partes.

O verbo mediar deve ser muito mais conjugado do que litigar e brigar. Esta
é a nossa expectativa, para que tenhamos dias cada vez melhores à frente.

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