27-08-2019

Ouvidoria amazônica: artigo de Maria Inês Fornazaro


As queimadas no Brasil – especialmente na Amazônia – provocaram forte reação internacional, inclusive em reunião do G-7, formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido. A reputação do Brasil foi fortemente abalada, pois as consequências do aquecimento global já se fazem sentir em praticamente todo o mundo. Dentre as medidas já adotadas e em discussão, sugiro a criação de uma Ouvidoria da Amazônia.

Como se sabe, é óbvio que países como a França não estão somente preocupados com os danos ambientais das queimadas. Concorrentes do Brasil no agronegócio, França e Irlanda aproveitam uma situação calamitosa para tentar bloquear o acordo Mercosul-União Europeia.

Por outro lado, há que reconhecer que madeireiros ilegais, garimpeiros que invadem terras indígenas e aqueles que desmatam para criar pastos (não merecem ser chamados de fazendeiros) estão se sentido mais à vontade para agir, por motivos políticos.

É por isso que, a par do combate às queimadas e aos criminosos, seria fundamental criar uma Ouvidoria Amazônica, preferencialmente em comum acordo com os demais países que também têm este ecossistema (Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa).

Tornaria mais transparentes as relações entre o mundo e os países amazônicos. Demonstraria que não estamos imóveis enquanto as queimadas proliferam. Aumentaria a transparência do combate ao desmatamento e à destruição da floresta.

Obviamente, seriam ouvidorias bilíngues ou trilíngues, para receber manifestações de pessoas de diversos países. O fato de ser ouvidorias implicaria prazo para as respostas. E mostraria, sem subterfúgios, que o Brasil valoriza e protege a Amazônia.

Porém, nunca é demais a ressalva, ouvidoria só funciona com independência. Caso contrário, é marketing, não solução.

Íntegra do artigo da presidente da ABO Nacional publicado hoje na edição impressa do Jornal de Brasília

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