DECÁLOGO
DO OUVIDOR
1. Ao
receber uma reclamação, evitar conclusões intuitivas
e precipitadas. Conscientizar-se de que a prudência é tão
necessária quanto a produção da melhor e mais
inspiradora decisão. Jamais se firmar no subjetivismo e na
precipitada presunção para concluir sobre fatos que
são decisivos para os interesses dos indivíduos e da
sociedade. Concluir pelo que é racional e consensual na prática
convencional das ações de um Ouvidor.
2. Agir
com modéstia e sem vaidade. Aprender a ser humilde. Controlar
o afã ao vedetismo. O sucesso e a fama devem ser um processo
lento e elaborado na convicção do aprimoramento e da
boa conduta ética e nunca pela presença ostensiva do
nome ou do retrato nas colunas dos jornais e nos vídeos das
tevês. Não há nenhum demérito no fato
de as atividades do Ouvidor correrem no anonimato, delas tendo conhecimento
apenas a administração e as partes interessadas.
3. Manter
o sigilo exigido. 0 segredo deve ser mantido na sua relativa necessidade
e na sua compulsória solenidade, não obstante os fatos
que demandem investigações terem vez ou outra suas
repercussões sensacionalistas e dramáticas, quase ao
sabor do conhecimento de todos. Nos seus transes mais graves, deve
o Ouvidor manter sua discrição, sua sobriedade, evitando
que suas declarações sejam transformadas em ruidosos
pronunciamentos e nocivas repercussões.
4. Ter
autoridade para ser acreditado. Exige-se também uma autoridade
capaz de se impor ao que se afirma e conclui, fazendo calar com sua
palavra as insinuações oportunistas. Tudo fazer para
que seu trabalho seja respeitado pelo timbre da fidelidade a sua
arte, a sua ciência e à tradição. Decidir
com firmeza. A titubeação é sinal de insegurança
e afasta a confiança que se deve impor em momentos tão
delicados. Se uma decisão é vacilante, a arte e a ciência
tornam-se fracas, temerárias e duvidosas.
5. Ser
livre para agir com isenção. Concluir com acerto através
da convicção, comparando os fatos entre si, relacionando-os
e chegando às conclusões sempre claras e objetivas.
Não permitir de forma alguma que suas crenças, ideologias
e paixões venham influenciar um resultado para o qual se exige
absoluta imparcialidade e isenção.
6. Não
aceitar a intromissão de ninguém. Não permitir
a intromissão ou a insinuação de ninguém,
seja autoridade ou não, na tentativa de deformar sua conduta
ou dirigir o resultado para um caminho diverso das suas legítimas
e reais conclusões, para não trair o interesse da sociedade
e os objetivos da justiça.
7. Ser
honesto e ter vida pessoal correta. É preciso ser honesto
para ser justo. Ser honesto para ser imparcial. Só a honestidade
confere um cunho de respeitabilidade e confiança. Ser íntegro,
probo e sensato. Ser simples e usar sempre o bom senso. A pureza
da arte é como a verdade: tem horror ao artifício.
Convém evitar certos hábitos, mesmo da vida íntima,
pois eles podem macular a confiança de uma atividade em favor
de quem irremediavelmente acredita nela.
8. Ter
coragem para decidir. Coragem para afirmar. Coragem para dizer não.
Coragem para concluir. Ter coragem para confessar que não
sabe. Coragem para pedir orientação de alguém
mais experiente. Ter a altivez de assumir a dimensão da responsabilidade
dos seus atos e não deixar nunca que suas decisões
tenham seu rumo torcido por interesses inconfessáveis.
9. Ser
competente para ser respeitado. Manter-se permanentemente atualizado,
aumentando cada dia o saber. Para isso, é preciso obstinação,
devoção ao estudo continuado e dedicação
apaixonada ao seu mister, pois só assim suas decisões
terão a elevada consideração pelo rigor que
elas são elaborados e pela verdade que elas encerram.
10. Acreditar
piamente que o seu papel de representante do cidadão comum,
mais do que uma procuração de fato, é um sério
compromisso em busca da satisfação do reclamante, do
aperfeiçoamento do fato reclamado e da otimização
da qualidade da instituição em que orgulhosamente é o
seu Ouvidor. |